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Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga
Nitai Gaura Hari Bol

Srimad Bhagavatam
(de Krishna Dwaipayana Vyasa - Srila Vyasadeva)

pela Divina Graça
de
Sri Srimad Bhaktivedanta Swami Maharaj Prabhupada
Paramahamsa Thakura Mahashaya

(Original Sem "correções")

 

Terceiro Canto

O Status Quo

-.-

Capítulo 01

Perguntas de Vidura

Verso 1

çré-çuka uväca
evam etat purä påñöo
maitreyo bhagavän kila
kñatträ vanaà praviñöena
tyaktvä sva-gåham åddhimat

Shukadeva Goswami disse: Depois de renunciar seu lar próspero e entrar na floresta, Rei Vidura, o grande devoto, fez sua pergunta para Sua Graça Maitreya Rishi.

Verso 2

yad vä ayaà mantra-kåd vo
bhagavän akhileçvaraù
pauravendra-gåhaà hitvä
praviveçätmasät kåtam

O que mais há para dizer sobre a casa dos Pandavas? Sri Krishna, o Senhor de tudo, atuou como ministro deles. Ele costumava entrar naquela casa como se fosse a Sua própria, e Ele não cuidou de nada da casa de Duryodhana.

Iluminação de Srila Prabhupada:

De acordo com a filosofia acintya-bhedabheda-tattva, tudo aquilo que satisfaz os sentidos do Supremo Senhor, Sri Krishna, também é Sri Krishna. Por exemplo, Sri Vrindavana-dhama não é diferente de Sri Krishna (tad-dhama vrndavanam) porque em Vrindavana o Senhor desfruta a bem-aventurança transcendental de Sua potência interna, Similarmente, a casa dos Pandavas também era fonte de bem-aventurança transcendental para o Senhor. Aqui está mencionado que o Senhor identificou a casa como Seu próprio Eu. Assim a casa dos Pandavas era tão boa quanto Vrindavana, e Vidura não deveria ter saído daquele lugar de bem-aventurança transcendental. Por isso a razão dele ter deixado a casa não foi exatamente desentendimento de família; em vez disso, Vidura aproveitou a oportunidade para encontrar Rishi Maitreya e discutir conhecimento transcendental. Para uma pessoa santificada igual Vidura, qualquer perturbação devido a casos mundanos é insignificante. Essas perturbações, entretanto, são às vezes favoráveis para realização superior, e por isso Vidura aproveitou a vantagem de um desentendimento familiar com o propósito de encontrar Maitreya Rishi.

Verso 3

räjoväca
kutra kñattur bhagavatä
maitreyeëäsa saìgamaù
kadä vä saha-saàväda
etad varëaya naù prabho

O Rei perguntou para Shukadeva Goswami: Onde e quando o encontro e discussão aconteceu entre São Vidura e Sua Graça Maitreya Muni? Por favor, faça-me esse favor, meu senhor, e descreva isso para nós.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Exatamente do modo como Shaunaka Rishi inquiriu de Suta Goswami e Suta Goswami respondeu, assim Srila Shukadeva Goswami respondeu às perguntas do Rei Parikshit. O Rei estava muito ansioso para entender a discussão significativa que aconteceu entre as duas grandes almas.

Verso 4

na hy alpärthodayas tasya
vidurasyämalätmanaù
tasmin varéyasi praçnaù
sädhu-vädopabåàhitaù

São Vidura era um devoto do Senhor grande e puro, e por isso suas perguntas para Sua Graça Rishi Maitreya devem ter sido muito significativas, no nível mais alto, e aprovadas por grandes círculos.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Perguntas e respostas entre diferentes classes de pessoas têm valores diferentes. Perguntas por pessoas comerciantes em uma transação comercial não se espera que sejam altamente significativas em valores espirituais. Perguntas e respostas por diferentes classes de pessoas podem ser deduzidas pelo calibre das pessoas concernidas. No Bhagavad-gita, a discussão era entre Senhor Sri Krishna e Arjuna, a Pessoa Suprema e o devoto supremo respectivamente. O Senhor admitiu Arjuna como Seu devoto e amigo (Bg. 4.3), e por isso qualquer pessoa sensata pode deduzir que a discussão era sobre o tópico do sistema de bhakti-yoga. Na realidade, o Bhagavad-gita inteiro é baseado no princípio de bhakti-yoga. Existe uma diferença entre karma e karma-yoga. Karma é ação regulada para desfrute do fruto pelo executor, porém karma-yoga é ação executada pelo devoto para a satisfação do Senhor. Karma-yoga é baseado em bhakti, ou satisfazer o Senhor, enquanto karma é baseado em satisfazer os sentidos do executor ele mesmo. De acordo com Srimad Bhagavatam, todos são aconselhados a se aproximarem do mestre espiritual fidedigno quando estiver realmente inclinado para perguntar de um nível elevado de entendimento espiritual. Uma pessoa comum que não tem interesse em valores espirituais não tem necessidade de se aproximar de um mestre espiritual justamente com intuito de seguir uma moda.

Como um estudante, Maharaja Parikshit era sério sobre aprender a ciência de Deus, e Shukadeva Goswami era um mestre espiritual fidedigno na ciência transcendental. Ambos sabiam que os tópicos discutidos por Vidura e Rishi Maitreya eram elevados, e assim Maharaja Parikshit estava muito interessado em aprender de seu mestre espiritual fidedigno.

Verso 5

süta uväca
sa evam åñi-varyo 'yaà
påñöo räjïä parékñitä
praty äha taà subahu-vit
prétätmä çrüyatäm iti

Sri Suta Goswami disse: O grande sábio Shukadeva Goswami era altamente experiente e estava satisfeito com o Rei. Assim questionado pelo Rei, ele lhe disse: "Por favor ouça os tópicos atentamente".

Verso 6

çré-çuka uväca
yadä tu räjä sva-sutän asädhün
puñëan na dharmeëa vinañöa-dåñöiù
bhrätur yaviñöhasya sutän vibandhün
praveçya läkñä-bhavane dadäha

Sri Shukadeva Goswami disse: Rei Dhritarashtra ficou cego sob a influência de desejos impiedosos para nutrir seus filhos desonestos, e por isso ele ateou fogo na casa de goma-laca para queimar seus sobrinhos órfãos de pai, os Pandavas.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Dhritarashtra era cego de nascença, porém sua maior cegueira em cometer atividades impiedosas para suportar seus filhos desonestos era uma cegueira maior do que sua carência física de visão. A carência física de visão não barra ninguém do progresso espiritual. Mas quando alguém é cego espiritualmente, mesmo fisicamente capaz, essa cegueira é perigosamente prejudicial para o caminho progressivo do ser humano.

Verso 7

yadä sabhäyäà kuru-deva-devyäù
keçäbhimarçaà suta-karma garhyam
na värayäm äsa nåpaù snuñäyäù
sväsrair harantyäù kuca-kuìkumäni

O Rei não proibiu a ação abominável de seu filho Duhshasana de agarrar o cabelo de Draupadi, a esposa do divino Rei Yudhisthira, mesmo embora suas lágrimas lavaram o pó vermelho em seus seios.

Verso 8

dyüte tv adharmeëa jitasya sädhoù
satyävalambasya vanaà gatasya
na yäcato 'dät samayena däyaà
tamo-juñäëo yad ajäta-çatroù

Yudhisthira, que nasceu sem nenhum inimigo, foi derrotado injustamente num jogo. Mas porque fez o voto de veracidade, ele se retirou para a floresta. Quando ele retornou no devido curso e implorou a devolução da sua parte legítima do reino, foi recusado por Dhritarashtra, que estava dominado pela ilusão.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Maharaja Yudhisthira era o herdeiro legítimo do reino de seu pai. Mas justamente para favorecer seus filhos, liderados por Duryodhana, Dhritarashtra, tio de Maharaja Yudhisthira, adotou vários meios injustos para enganar seus sobrinhos sobre sua parte legítima do reino. No fim os Pandavas exigiram apenas cinco vilas, uma para cada um dos cinco irmãos, mas isso também foi recusado pelos usurpadores. Esse incidente conduziu à Guerra de Kurukshetra. A Batalha de Kurukshetra, assim, foi induzida pelos Kurus, e não os Pandavas.

Como ksatriyas, o sustento adequado para os Pandavas era só governar, e não aceitar mais nenhuma outra ocupação. Um brahmana, ksatriya ou vaisya não deve aceitar emprego para seu sustento sob quaisquer circunstâncias.

Verso 9

yadä ca pärtha-prahitaù sabhäyäà
jagad-gurur yäni jagäda kåñëaù
na täni puàsäm amåtäyanäni
räjoru mene kñata-puëya-leçaù

O Senhor Krishna foi enviado por Arjuna dentro da assembléia como o mestre espiritual do mundo inteiro, e embora Suas palavras fossem ouvidas por alguns (tal qual Bhisma) como puro néctar, não foi assim para os outros, que eram completamente desprovidos do último centavo de trabalhos piedosos passados. O rei (Dhritarashtra ou Duryodhana) não levou as palavras do Senhor Krishna muito a sério.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor Krishna, que é o mestre espiritual do universo inteiro, aceitou o dever de mensageiro, e designado por Arjuna, foi para a assembléia do Rei Dhritarashtra em uma missão de paz. Krishna é o Senhor de todos, mesmo assim porque Ele era o amigo transcendental de Arjuna, aceitou com prazer o papel de mensageiro, exatamente como um amigo ordinário. Essa é a beleza do comportamento do Senhor com Seus devotos puros. Ele chegou à assembléia e falou sobre paz, e a mensagem foi apreciada por Bhisma e outros grandes líderes porque foi falada pelo Senhor Ele mesmo. Mas por causa da exaustão de resultados piedosos de suas vidas passadas, Duryodhana, ou seu pai Dhritarashtra, não levou a mensagem muito a sério. Esse é o modo de pessoas que não têm nenhum crédito de feitos piedosos. Por feitos passados piedosos, qualquer um pode se tornar um rei de um país, mas porque os resultados de atos piedosos de Duryodhana e companhia diminuíam, ficou evidente pelas ações deles a certeza de que perderiam o reino dos Pandavas. A mensagem do Supremo é sempre igual a néctar para os devotos, mas é justamente o oposto para não devotos. Açúcar-cande é sempre doce para uma pessoa saudável, mas tem um gosto muito amargo para pessoas que sofrem de icterícia.

Verso 10

yadopahüto bhavanaà praviñöo
manträya påñöaù kila pürvajena
athäha tan mantra-dåçäà varéyän
yan mantriëo vaidurikaà vadanti

Quando Vidura foi convidado pelo seu irmão mais velho (Dhritarashtra) para consulta, ele entrou na casa e deu instruções que eram exatamente pertinentes. Seu conselho é bem conhecido, e instruções por Vidura são aprovadas por ministros de estado experientes.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Sugestões políticas por Vidura são conhecidas como especialistas, justamente igual, nos tempos modernos, Pandita Chanakya é considerado a autoridade em bom conselho tanto em instruções políticas quanto morais.

Verso 11

ajäta-çatroù pratiyaccha däyaà
titikñato durviñahaà tavägaù
sahänujo yatra våkodarähiù
çvasan ruñä yat tvam alaà bibheñi

(Vidura disse): Agora você tem que devolver a parte legítima de Yudhisthira, que não tem quaisquer inimigos e que tem sido tolerante através de sofrimentos incontáveis devido a suas ofensas. Ele espera com seus irmãos mais novos, entre os quais está o vingativo Bhima, que respira pesadamente como uma serpente. Com certeza você está com medo dele.

Verso 12

pärthäàs tu devo bhagavän mukundo
gåhétavän sakñiti-deva-devaù
äste sva-puryäà yadu-deva-devo
vinirjitäçeña-nådeva-devaù

O Senhor Krishna, a Personalidade de Deus, aceitou os filhos de Pritha como Seus familiares, e todos os reis do mundo estão com o Senhor Sri Krishna. Ele está presente em Seu lar com todos Seus membros familiares, os reis e príncipes da dinastia Yadu, que conquistaram um número ilimitado de governantes, e Ele é o Senhor deles.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Vidura deu para Dhritarashtra conselho muito bom a respeito da aliança política com os filhos de Pritha, os Pandavas. A primeira coisa que ele disse foi que o Senhor Krishna era intimamente relacionado com eles como seu primo. Porque o Senhor Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, Ele é adorável por todos brahmanas e semideuses, que são os controladores dos assuntos universais. Além disso, o Senhor Krishna e Seus membros familiares, a ordem real da dinastia Yadu, foram os conquistadores de todos reis do mundo.

Os kshatriyas costumavam combater os reis de vários domínios e raptar suas lindas filhas princesas, depois de conquistar seus parentes. Esse sistema era louvável porque os ksatriyas e as princesas só se casariam com base no cavalheirismo do ksatriya conquistador. Todos os jovens príncipes da dinastia Yadu casaram com filhas de outros reis dessa forma, pela força cavalheiresca, e por isso eles eram conquistadores de todos reis do mundo. Vidura queria impressionar seu irmão mais velho que lutar contra os Pandavas era repleto com muitos perigos porque eles eram apoiados pelo Senhor Krishna, que tinha conquistado, mesmo em Sua infância, demônios tais quais Kamsa e Jarasandha e semideuses tais quais Brahma e Indra. Por isso todo poder universal estava atrás dos Pandavas.

Verso 13

sa eña doñaù puruña-dviò äste
gåhän praviñöo yam apatya-matyä
puñëäsi kåñëäd vimukho gata-çrés
tyajäçv açaivaà kula-kauçaläya

Você mantém ofensa personificada, Duryodhana, como seu filho infalível, mas ele é invejoso do Senhor Krishna. E porque você assim mantém um não devoto de Krishna, você está desprovido de todas qualidades auspiciosas. Liberte-se dessa má sorte o mais breve possível e faça o bem para a família inteira!

Iluminação de Srila Prabhupada:

Um bom filho é chamado apatya, aquele que não permite que seu pai caia. O filho pode proteger a alma do pai quando o pai está morto por oferecer sacrifícios para satisfazer o Supremo Senhor, Vishnu. Esse sistema ainda é prevalecente na Índia. Depois da morte de seu pai, um filho vai para oferecer sacrifícios aos pés de lótus de Vishnu em Gaya e assim liberta a alma do pai se o pai for caído. Mas se o filho já é um inimigo de Vishnu, como, num humor hostil desse, será que ele pode oferecer sacrifícios aos pés de lótus do Senhor Vishnu? O Senhor Krishna é diretamente a Personalidade de Deus, Vishnu, e Duryodhana era inimigo Dele. Por isso ele era incapaz para proteger seu pai, Dhritarashtra, depois de sua morte. Ele mesmo estava para cair por causa da sua infidelidade em relação a Vishnu. Como, então, ele poderia proteger seu pai? Vidura aconselhou Dhritarashtra a se livrar de um filho tão indigno tal qual Duryodhana o mais breve possível se ele estava um pouco ansioso para ver o bem de sua família.

De acordo com as instruções morais de Chanakya Pandita: "Qual a utilidade de um filho que não é nem uma pessoa instruída nem um devoto do Senhor"? Se um filho não for um devoto do Supremo Senhor, ele é igual olhos cegos - uma fonte de dificuldade. Um médico às vezes aconselha a extração desses olhos inúteis de suas órbitas para que a pessoa fique aliviada da dificuldade constante. Duryodhana era exatamente igual olhos cegos, problemáticos; ele seria uma fonte de grande problema para a família de Dhritarashtra como previsto por Vidura. Vidura por isso aconselhou corretamente seu irmão mais velho para se livrar dessa fonte de dificuldade. Dhritarashtra mantinha erroneamente essa ofensa personificada sob a impressão enganosa de que Duryodhana era um bom filho, capaz de liberar seu pai.

Verso 14

ity üciväàs tatra suyodhanena
pravåddha-kopa-sphuritädhareëa
asat-kåtaù sat-spåhaëéya-çélaù
kñattä sakarëänuja-saubalena

Enquanto falava assim, Vidura, cujo caráter pessoal era estimado por pessoas respeitáveis, foi insultado por Duryodhana, que estava inchado de raiva e cujos lábios tremiam. Duryodhana estava na companhia de Karna, seus irmãos mais novos e seu tio materno Shakuni.

Iluminação de Srila Prabhupada:

É dito que dar bom conselho para uma pessoa tola causa que o tolo fique com raiva, justamente igual alimentar com leite uma serpente unicamente incrementa seu veneno peçonhento. O Santo Vidura era tão honorável que seu caráter era contemplado por todas pessoas respeitáveis. Mas Duryodhana era tão idiota que ousou insultar Vidura. Isso foi por causa da sua má associação com Shakuni, seu tio materno, e também com seu amigo Karna, que sempre encorajou Duryodhana em seus atos nefastos.

Verso 15

ka enam atropajuhäva jihmaà
däsyäù sutaà yad-balinaiva puñöaù
tasmin pratépaù parakåtya äste
nirväsyatäm äçu puräc chvasänaù

Quem pediu a ele para vir aqui, esse filho de uma amante mantida? Ele é tão velhaco que espiona no interesse do inimigo contra aqueles sobre cujo suporte ele cresceu. Jogue-o para fora do palácio imediatamente e deixe-o somente com sua respiração.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Quando se casavam, os reis ksatriya levavam várias outras meninas jovens junto com a princesa casada. Essas meninas atendentes do rei eram conhecidas como dasis, ou amantes atendentes. Pela associação íntima com o rei, as dasis tinham filhos. Esses filhos eram chamados dasi-putras. Eles não tinham direito a uma posição real, mas tinham manutenção e outras facilidades iguais príncipes. Vidura era o filho de uma dasi assim, e por isso ele não era contado entre os ksatriyas. O Rei Dhritarashtra era muito afeiçoado por seu irmão mais novo dasi-putra, Vidura, e Vidura era um grande amigo e conselheiro filosófico para Dhritarashtra. Duryodhana sabia muito bem que Vidura era uma grande alma e benquerente, mas infelizmente ele usou palavras duras para ferir seu tio inocente. Duryodhana não apenas atacou o nascimento de Vidura, mas também o chamou de infiel porque parecia que ele apoiava a causa de Yudhisthira, o qual Duryodhana considerava seu inimigo. Ele queria que Vidura fosse colocado para fora do palácio imediatamente e privado de todos os seus bens. Se possível, ele gostaria que ele fosse açoitado até que ficasse com nada além da sua respiração. Ele acusou Vidura de ser um espião dos Pandavas porque aconselhou Dhritarashtra a favor deles. Assim é a situação da vida de palácio e as complexidades da diplomacia que até mesmo uma pessoa impecável igual Vidura podia ser acusado de algo abominável e punido. Vidura ficou abismado com esse comportamento inesperado de seu sobrinho Duryodhana, e antes que qualquer coisa acontecesse realmente, ele decidiu deixar o palácio por bem.

Verso 16

sa ittham atyulbaëa-karëa-bäëair
bhrätuù puro marmasu täòito 'pi
svayaà dhanur dväri nidhäya mäyäà
gata-vyatho 'yäd uru mänayänaù

Assim perfurado por flechas através dos seus ouvidos e aflito até o âmago do seu coração, Vidura pôs seu arco na porta e deixou o palácio de seu irmão. Ele não estava triste, porque considerou os atos da energia externa do supremo.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Um devoto puro do Senhor nunca fica perturbado por nenhuma posição constrangedora criada pela energia externa do Senhor. No Bhagavad-gita (3.27) está afirmado:

prakåteù kriyamäëäni
guëaiù karmäëi sarvaçaù
ahaìkära-vimüòhätmä
kartäham iti manyate

Uma alma condicionada está absorta na existência material sob a influência dos diferentes modos da energia externa. Absorto no ego falso, ela pensa que faz tudo por si própria. A energia externa do Senhor, a natureza material, está plenamente sob o controle do Supremo Senhor e a alma condicionada está plenamente sob a garra da energia externa. Por isso, a alma condicionada está plenamente sob o controle da lei do Senhor. Mas devido à ilusão somente, ela pensa em si mesma como independente em suas atividades. Duryodhana agia sob essa influência da natureza externa, pela qual ele seria aniquilado até o fim último. Ele não pôde aceitar o bom conselho de Vidura, mas ao contrário ele insultou aquela grande alma, que era o benquerente de toda sua família. Vidura podia entender isso porque ele era um devoto puro do Senhor. Em vez de ficar fortemente insultado pelas palavras de Duryodhana, Vidura podia ver que Duryodhana, sob a influência de maya, a energia externa, fazia progresso no caminho em direção da sua própria ruína. Ele por isso considerou os atos da energia externa como supremos, ainda assim ele viu como a energia interna do Senhor o ajudou naquela situação particular. Um devoto está sempre em um temperamento renunciado porque as atrações mundanas nunca podem satisfazê-lo. Vidura nunca foi atraído pelo palácio real de seu irmão. Ele estava sempre pronto para deixar o palácio e se devotar completamente para o serviço amoroso transcendental do Senhor. Agora ele obteve a oportunidade pela graça de Duryodhana, e em vez de ficar triste pelas palavras duras de insulto, ele o agradeceu interiormente porque lhe deu uma chance de viver sozinho em um lugar sagrado e se dedicar plenamente no serviço devocional do Senhor. A palavra gata-vyathah (sem ficar triste) é significativa aqui porque Vidura foi libertado das tribulações as quais dificultam cada pessoa enredada em atividades materiais. Ele por isso pensou que não havia necessidade de defender seu irmão com seu arco porque seu irmão estava destinado à ruína. Assim ele deixou o palácio antes que Duryodhana pudesse agir. Maya, a energia suprema do Senhor, atuou aqui tanto internamente quanto externamente.

Verso 17

sa nirgataù kaurava-puëya-labdho
gajähvayät tértha-padaù padäni
anväkramat puëya-cikérñayorvyäm
adhiñöhito yäni sahasra-mürtiù

Por sua piedade, Vidura obteve as vantagens dos Kauravas piedosos. Depois de deixar Hastinapura, ele se abrigou em muitos lugares de peregrinação, os quais são os pés de lótus do Senhor. Com um desejo de ganhar uma ordem superior de vida piedosa, ele viajou pelos lugares sagrados onde milhares de formas transcendentais do Senhor estão situadas.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Vidura era indubitavelmente uma alma altamente elevada e piedosa, se não fosse assim ele não teria nascido na família Kaurava. Ter alta ascendência, possuir fortuna, ser altamente versado e ter grande beleza pessoal são devido a atos piedosos passados. Mas essas posses piedosas não são suficientes para obter a graça do Senhor e ficar dedicado em Seu serviço amoroso transcendental. Vidura se considerava menos piedoso, e por isso ele viajou para todos os grandes lugares de peregrinação no mundo com o propósito de obter piedade e avanço maiores e avançar para mais perto do Senhor. Naquela época, o Senhor Krishna estava presente pessoalmente no mundo, e Vidura poderia ter se aproximado Dele diretamente, mas ele não fez isso porque não estava suficientemente livre de pecado. Ninguém pode ser cem por cento devotado ao Senhor a menos e até que esteja completamente livre de todos efeitos de pecado. Vidura tinha consciência que pela associação dos diplomáticos Dhritarashtra e Duryodhana ele perdeu sua piedade e não era digno de se associar imediatamente com o Senhor. No Bhagavad-gita (7.28) isso está confirmado no verso seguinte:

yeñäà tv anta-gataà päpaà
janänäà puëya-karmaëäm
te dvandva-moha-nirmuktä
bhajante mäà dåòha-vratäù

Pessoas que são asuras pecaminosos tais quais Kamsa e Jarasandha não podem pensar no Senhor Krishna como a Suprema Personalidade de Deus, a Verdade Absoluta. Somente aqueles que são devotos puros, que seguem os princípios reguladores da vida religiosa como prescrito nas escrituras, são capazes de se engajar em karma-yoga e então jñana-yoga e depois, por meditação pura, podem entender consciência pura. Quando consciência de Deus é desenvolvida, pode-se aproveitar a vantagem da associação dos devotos puros. Syan mahat-sevaya viprah punya-tirtha-nisevanat: qualquer um fica capaz de se associar com o Senhor mesmo durante a existência desta vida.

Lugares de peregrinações são destinados para erradicar os pecados dos peregrinos, e são distribuídos por todo o universo justamente para dar facilidade a todos concernidos para alcançar existência pura e realização de Deus. Não se deve ficar satisfeito, entretanto, meramente por visitar os lugares de peregrinação e executar seus deveres prescritos; deve-se ficar ansioso para encontrar as grandes almas que já estão lá, dedicadas no serviço do Senhor. Em todo e cada lugar de peregrinação, o Senhor está presente em Suas várias formas transcendentais.

Essas formas são chamadas arca-murtis, ou formas do Senhor que podem ser apreciadas facilmente pela pessoa comum. O Senhor é transcendental aos nossos sentidos mundanos. Ele não pode ser visto com os olhos presentes, nem Ele pode ser ouvido com nossos ouvidos presentes. Para o grau que entramos dentro do serviço do Senhor ou para a proporção para qual nossas vidas estão livres de pecados, podemos perceber o Senhor. Mas mesmo embora que não estejamos livres de pecados, o Senhor é bondoso o bastante para nos permitir a facilidade de vê-Lo em Suas arca-murtis no templo. O Senhor é todo-poderoso, e por isso Ele é capaz de aceitar nosso serviço pela representação de sua forma arca. Ninguém, dessa forma, deve pensar tolamente que a arca no templo é um ídolo. Uma arca-murti dessa não é um ídolo mas o Senhor Ele mesmo, e na proporção para qual alguém está livre dos pecados, ele é capaz de saber a significância da arca-murti. A orientação de um devoto puro é por isso sempre requerida.

Na terra de Bharatavarsha existem muitas centenas de milhares de lugares de peregrinação distribuídos por todo o país, e pela prática tradicional a pessoa comum visita esses lugares sagrados durante todas estações do ano. Algumas das representações arca do Senhor situadas em diferentes lugares de peregrinação são mencionadas aqui. O Senhor está presente em Mathura (o local de nascimento do Senhor Krishna) como Adi-keshava; o Senhor está presente em Puri (Orissa) como Senhor Jagannatha (também conhecido como Purushottama); Ele está presente em Allahabad (Prayaga) como Bindhu-madhava; na Colina Mandara Ele está presente como Madhusudana. Em Anandaranya, Ele é conhecido como Vasudeva, Padmanabha e Janardana; em Vishnukañchi, Ele é conhecido como Vishnu; em Mayapura, Ele é conhecido como Hari. Existem milhões e bilhões dessas formas arca do Senhor distribuídas por todo universo. Todas essas arca-murtis são resumidas no Chaitanya-charitamrita com as seguintes palavras:

sarvatra prakäça täìra—bhakte sukha dite
jagatera adharma näçi' dharma sthäpite

"O Senhor assim distribuiu a Si mesmo por todo o universo justamente para dar prazer a Seus devotos, para dar à pessoa comum facilidade de erradicar seus pecados, e estabelecer princípios religiosos no mundo".

Verso 18

pureñu puëyopavanädri-kuïjeñv
apaìka-toyeñu sarit-saraùsu
ananta-liìgaiù samalaìkåteñu
cacära térthäyataneñv ananyaù

Ele começou a viajar sozinho, com o pensamento unicamente em Krishna, através de vários lugares sagrados tais quais Ayodhya, Dwaraka e Mathura. Ele viajou por onde o ar, montanha, pomar, rio e lago são todos puros e sem pecado e onde as formas do Ilimitado decoram os templos. Assim ele desempenhou o progresso do peregrino.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Esses formas arca do Senhor podem ser consideradas ídolos pelos ateístas, mas isso não importa para pessoas tal qual Vidura ou Seus muitos outros servidores. As formas do Senhor são mencionadas aqui como ananta-linga. Essas formas do Senhor têm potência ilimitada, a mesma igual a do Senhor Ele mesmo. Não existe nenhuma diferença entre as potências da arca e aquelas das formas pessoais do Senhor. O exemplo da caixa de correio e correio pode ser aplicado aqui. As pequenas caixas de correio espalhadas por toda a cidade têm a mesma potência igual a do sistema postal em geral. O dever do correio é levar cartas de um lugar para outro. Se alguém põe cartas nas caixas de correio autorizadas pelo correio geral, a função de levar cartas é realizada sem nenhuma dúvida. Similarmente, a arca-murti também pode entregar a mesma potência ilimitada do Senhor igual quando Ele estava presente pessoalmente. Vidura, por isso, conseguia ver nada além de Krishna em diferentes formas arca, e ultimamente ele ficou capaz de realizar Krishna unicamente e nada mais.

Verso 19

gäà paryaöan medhya-vivikta-våttiù
sadäpluto 'dhaù çayano 'vadhütaù
alakñitaù svair avadhüta-veño
vratäni cere hari-toñaëäni

Enquanto atravessava a Terra assim, ele simplesmente realizou deveres para satisfazer o Supremo Senhor Hari. Sua ocupação era pura e independente. Ele estava sempre santificado por se banhar nos lugares sagrados, embora estivesse na roupa de um mendigo e não tinha nenhum penteado nem uma cama na qual para deitar. Assim ele era sempre invisível para seus vários parentes.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O primeiro e principal dever de um peregrino é satisfazer o Supremo Senhor Hari. Enquanto viaja como um peregrino, não se deve ficar preocupado sobre agradar a sociedade. Não há necessidade de depender de formalidades ou ocupação ou roupa sociais. Deve-se sempre permanecer absorto na função de satisfazer o Senhor. Assim santificado por pensamento e ação, qualquer um fica capaz de realizar o Supremo Senhor pelo processo de uma viagem de peregrino.

Verso 20

itthaà vrajan bhäratam eva varñaà
kälena yävad gatavän prabhäsam
tävac chaçäsa kñitim eka cakräm
ekätapaträm ajitena pärthaù

Assim, quando ele estava na terra de Bharatavarsha em viagem para todos os lugares de peregrinação, ele visitou Prabhasakshetra. Naquela época Maharaja Yudhisthira era o imperador e manteve o mundo sob um poder militar e uma bandeira.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Mais de cinco mil anos atrás, enquanto Santo Vidura viajava pela Terra como um peregrino, Índia era conhecida como Bharatavarsha, do modo como é conhecida mesmo nos dias de hoje. A história do mundo não pode fornecer qualquer relato sistemático para mais de três mil anos no passado, mas antes disso o mundo inteiro estava sob a bandeira e poder militar de Maharaja Yudhisthira, que era o imperador do mundo. No presente existem centenas e milhares de bandeiras tremulando nas Nações Unidas, mas durante a época de Vidura existia, pela graça de Ajita, Senhor Krishna, unicamente uma bandeira. As nações do mundo estão muito ansiosas novamente para ter um estado sob uma bandeira, mas para isso precisam procurar o favor do Senhor Krishna, pois somente Ele que pode nos ajudar a nos tornarmos uma nação mundialmente.

Verso 21

taträtha çuçräva suhåd-vinañöià
vanaà yathä veëuja-vahni-saàçrayam
saàspardhayä dagdham athänuçocan
sarasvatéà pratyag iyäya tüñëém

No lugar de peregrinação em Prabhasa, veio ao conhecimento dele que todos seus parentes morreram devido a uma paixão violenta, justamente igual uma floresta inteira queima devido à fricção de bambus. Depois disso ele procedeu para oeste, onde o Rio Sarasvati flui.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Ambos os Kauravas e os Yadavas eram parentes de Vidura, e Vidura ouviu sobre a extinção deles devido à guerra fratricida. A comparação da fricção dos bambus da floresta com as das sociedades humanas é apropriada. O mundo inteiro é comparado a uma floresta. A qualquer momento pode acontecer uma explosão de fogo na floresta devido à fricção. Ninguém vai para a floresta para incendiá-la, mas devido unicamente à fricção entre bambus, fogo acontece e queima a floresta inteira. Similarmente, na floresta maior da transação mundana, o fogo da guerra acontece por causa de paixão violenta das almas condicionadas iludidas pela energia externa. Um fogo mundial desse só pode ser extinto unicamente pela água da nuvem de misericórdia dos santos, justamente igual o fogo da floresta pode ser extinto unicamente pelas chuvas que caem de uma nuvem.

Verso 22

tasyäà tritasyoçanaso manoç ca
påthor athägner asitasya väyoù
térthaà sudäsasya gaväà guhasya
yac chräddhadevasya sa äsiñeve

Na margem do Rio Sarasvati havia onze lugares de peregrinação, a saber, (1) Trita, (2) Ushana, (3) Manu, (4) Prithu, (5) Agni, (6) Asita, (7) Vayu, (8) Sudasa, (9) Go, (10) Guha e (11) Sraddhadeva. Vidura visitou todos eles e realizou rituais devidamente.

Verso 23

anyäni ceha dvija-deva-devaiù
kåtäni nänäyatanäni viñëoù
pratyaìga-mukhyäìkita-mandiräëi
yad-darçanät kåñëam anusmaranti

Havia também muitos outros templos de várias formas da Suprema Personalidade de Deus Vishnu, estabelecidas por grandes sábios e semideuses. Esses templos eram marcados com os emblemas principais do Senhor, e eles sempre lembravam qualquer um da Personalidade de Deus original, Senhor Krishna.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Sociedade humana é dividida em quatro ordens de vida social e quatro divisões espirituais, aplicadas para cada e toda pessoa individual. Esse sistema é chamado varnasrama-dharma e já foi discutido em muitos lugares desta grande literatura. Os sábios, ou pessoas que se devotaram completamente à elevação espiritual da sociedade humana inteira, eram conhecidos como dvija-deva, o melhor entre os duas vezes nascidos. Os cidadãos dos planetas superiores, desde o planeta Lua e para cima, eram conhecidos como devas. Ambos os dvija-devas e os devas sempre estabeleceram templos do Senhor Vishnu em Suas várias formas, tais quais Govinda, Madhusudana, Nrisimha, Madhava, Keshava, Narayana, Padmanabha, Partha-sarathi e muitas outras. O Senhor Se expande em formas inumeráveis, mas todas elas não são diferentes uma da outra. O Senhor Vishnu tem quatro mãos, e cada mão segura um item particular - seja um búzio, roda, maça ou flor de lótus. Desses quatro emblemas, o cakra, ou roda, é o líder. O Senhor Krishna, por ser a forma de Vishnu original, tem somente um emblema, chamado a roda, e por isso às vezes Ele é chamado de o Chakri. O cakra do Senhor é o símbolo do poder pelo qual o Senhor controla a manifestação inteira. Os topos dos templos de Vishnu são marcados com o símbolo da roda para que as pessoas possam ter a chance de ver o símbolo de uma distância bem longa e imediatamente lembrar o Senhor Krishna. O propósito de construir templos bem altos é dar às pessoas uma chance de vê-los de um lugar distante. Esse sistema é continuado na Índia sempre que um novo templo é construído, e parece que vem de um tempo antes da história registrada. A propaganda idiota dos ateístas de que templos foram construídos somente em dias posteriores é refutada aqui porque Vidura visitou esses templos pelo menos cinco mil anos atrás, e os templos de Vishnu estavam em existência muito e muito antes de Vidura visitá-los. Os grandes sábios e semideuses nunca estabeleceram estátuas de humanos ou semideuses, mas estabeleceram templos de Vishnu para o benefício do humano comum, para elevá-los para a plataforma da consciência de Deus.

Verso 24

tatas tv ativrajya suräñöram åddhaà
sauvéra-matsyän kurujäìgaläàç ca
kälena tävad yamunäm upetya
tatroddhavaà bhägavataà dadarça

Depois disso ele passou através de províncias muito ricas tais quais Surat, Sauvira e Matsya e através da Índia ocidental, conhecida como Kurujangala. Por último ele alcançou a margem do Yamuna, onde aconteceu dele encontrar Uddhava, o grande devoto do Senhor Krishna.

Iluminação de Srila Prabhupada:

A área de terra que compreende cerca de cem milhas quadradas a partir da Délhi moderna para Mathura distrito em Uttar Pradesh, inclusive uma porção do distrito Gurgaon em Punjab (Leste da Índia), é considerada como o mais elevado lugar de peregrinação em toda a Índia. Essa área é sagrada porque o Senhor Krishna viajou através dela muitas vezes. Desde o próprio começo de Seu aparecimento, Ele estava em Mathura na casa de Seu tio materno Kamsa, Ele foi criado pelo Seu pai adotivo Maharaja Nanda em Vrindavana. Ainda existem muitos devotos do Senhor que permanecem lá em êxtase na busca por Krishna e Suas associadas de infância, as gopis. Não é que esses devotos encontram Krishna face a face naquela área de terra, mas a busca ardente do devoto por Krishna é tão boa quanto vê-Lo pessoalmente. Como isso acontece não pode ser explicado, mas é realizado factualmente por aqueles que são devotos puros do Senhor. Filosoficamente, pode-se entender que o Senhor Krishna e Sua lembrança estão no plano absoluto e que a própria idéia de procurar por Ele em Vrindavana na consciência de Deus pura dá mais prazer para o devoto do que vê-Lo face a face. Devotos do Senhor assim O vêem face a face em cada momento, como confirmado no Brahma Samhita (5.38):

premäïjana-cchurita-bhakti-vilocanena
santaù sadaiva hådayeñu vilokayanti
yaà çyämasundaram acintya-guëa-svarüpaà
govindam ädi-puruñaà tam ahaà bhajämi

"Aqueles que estão no êxtase do amor com a Suprema Personalidade de Deus, Senhor Shyamasundara (Krishna), sempre O vêem dentro de seus corações devido ao amor e serviço devocional prestado para o Senhor". Ambos Vidura e Uddhava eram devotos elevados assim, e por isso ambos vieram para a margem do Yamuna e se encontraram.

Verso 25

sa väsudevänucaraà praçäntaà
båhaspateù präk tanayaà pratétam
äliìgya gäòhaà praëayena bhadraà
svänäm apåcchad bhagavat-prajänäm

Então, devido a seu grande amor e sentimento, Vidura o abraçou (Uddhava), que era um companheiro constante do Senhor Krishna e anteriormente um grande aluno de Brihaspati. Vidura então perguntou a ele por notícia da família do Senhor Krishna, a Personalidade de Deus.

Iluminação de Srila Prabhupada:

Vidura era mais velho do que Uddhava, igual um pai, e por isso quando os dois se encontraram, Uddhava se prostrou perante Vidura, e Vidura o abraçou porque Uddhava era mais novo, igual um filho. O irmão de Vidura Pandu era tio do Senhor Krishna, e Uddhava era um primo do Senhor Krishna. De acordo com costume social, dessa forma, Vidura tinha que ser respeitado por Uddhava no nível de seu pai. Uddhava era um grande erudito em lógica, e ele era conhecido como um filho ou discípulo de Brihaspati, o altamente versado sacerdote e mestre espiritual dos semideuses. Vidura perguntou a Uddhava sobre o bem-estar de seus familiares, embora ele já soubesse que eles não estavam mais no mundo. A pergunta pareceu ser muito estranha, mas Srila Jiva Goswami afirma que a notícia foi um choque para Vidura, que por isso perguntou novamente devido à grande curiosidade. Por isso sua pergunta foi psicológica e não prática.

Verso 26

kaccit puräëau puruñau svanäbhya-
pädmänuvåttyeha kilävatérëau
äsäta urvyäù kuçalaà vidhäya
kåta-kñaëau kuçalaà çüra-gehe

(Por favor me diga) se as Personalidades de Deus originais, que encarnaram Eles mesmos pelo pedido de Brahma (que nasce da flor de lótus do Senhor) e que incrementou a prosperidade do mundo por elevar todos, estão indo bem na casa de Shurasena.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor Krishna e Balarama não são duas Personalidades de Deus diferentes. Deus é um sem um segundo, mas Ele Se expande em muitas formas sem elas serem separadas uma da outra. Elas são todas expansões plenárias. A expansão imediata do Senhor Krishna é Baladeva, e Brahma, nascido da flor de lótus de Garbhodakashayi Vishnu, é uma expansão de Baladeva. Isso indica que Krishna e Baladeva não são sujeitos aos regulamentos do universo; ao contrário, o universo inteiro está sob a subjugação Deles. Eles apareceram a pedido de Brahma para liberar o fardo do mundo, e Eles aliviaram o mundo com muitas atividades super-humanas pelas quais todos ficaram felizes e prósperos. Sem a graça do Senhor, ninguém pode se tornar feliz e próspero. Porque a felicidade da família dos devotos do Senhor depende da felicidade do Senhor, Vidura primeiro que tudo perguntou sobre o bem-estar do Senhor.

Verso 27

kaccit kurüëäà paramaù suhån no
bhämaù sa äste sukham aìga çauriù
yo vai svasèëäà pitåvad dadäti
varän vadänyo vara-tarpaëena

(Por favor me diga) se o melhor amigo dos Kurus, nosso cunhado Vasudeva, está bem. Ele é muito munificente. Ele é igual um pai para suas irmãs, e ele é sempre amável com suas esposas.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O pai do Senhor Krishna, Vasudeva, tinha dezesseis esposas, e uma delas, chamada Pauravi ou Rohini, a mãe de Baladeva, era a irmã de Vidura. Vasudeva, por isso, era o esposo da irmã de Vidura, e assim eles eram cunhados. Kunti a irmã de Vasudeva era a esposa de Pandu, irmão mais velho de Vidura, e nesse sentido também, Vasudeva era cunhado de Vidura. Kunti era mais nova do que Vasudeva, e era dever do irmão mais velho tratar as irmãs como filhas. Sempre que qualquer coisa fosse necessária para Kunti, era entregue generosamente por Vasudeva, devido ao seu grande amor por sua irmã mais nova. Vasudeva nunca deixou suas esposas insatisfeitas, e ao mesmo tempo ele supria os objetos desejados por sua irmã. Ele tinha atenção especial com Kunti porque ela ficou viúva em tenra idade. Enquanto perguntava sobre o bem-estar de Vasudeva, Vidura lembrou tudo sobre ele e o relacionamento da família.

Verso 28

kaccid varüthädhipatir yadünäà
pradyumna äste sukham aìga véraù
yaà rukmiëé bhagavato 'bhilebhe
ärädhya viprän smaram ädi-sarge

Ó Uddhava, por favor diga-me como está Pradyumna, o comandante chefe dos Yadus, que foi Cupido numa vida anterior? Rukmini o gerou como seu filho do Senhor Krishna, pela graça dos brahmanas os quais ela satisfez.

Iluminação de Srila Prabhupada:

De acordo com Srila Jiva Goswami, Smara (Cupido, ou Kamadeva) é um dos associados eternos do Senhor Krishna. Jiva Goswami explicou isso muito elaboradamente em seu tratado Krishna-sandharbha.

Verso 29

kaccit sukhaà sätvata-våñëi-bhoja-
däçärhakäëäm adhipaù sa äste
yam abhyañiïcac chata-patra-netro
nåpäsanäçäà parihåtya dürät

Ó meu amigo, (diga-me) se Ugrasena, o Rei dos Satvatas, Vrishnis, Bhojas e Dasharhas, vai bem. Ele foi para bem longe de seu reino, e deixou de lado todas esperanças de seu trono real, mas o Senhor Krishna novamente o empossou.

Verso 30

kaccid dhareù saumya sutaù sadåkña
äste 'graëé rathinäà sädhu sämbaù
asüta yaà jämbavaté vratäòhyä
devaà guhaà yo 'mbikayä dhåto 'gre

Ó gentil, será que Samba está bem? Ele parece exatamente o filho da Personalidade de Deus. Num nascimento prévio ele nasceu como Karttikeya no ventre da esposa do Senhor Shiva, e agora ele nasceu no ventre de Jambavati, a esposa mais rica de Krishna.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O Senhor Shiva, uma das três encarnações qualitativas da Personalidade de Deus, é uma porção plenária do Senhor. Karttikeya, nascido dele, está no nível de Pradyumna, outro filho do Senhor Krishna. Quando o Senhor Krishna descende dentro do mundo material, todas Suas porções plenárias também aparecem com Ele para exibir diferentes funções do Senhor. Mas para os passatempos de Vrindavana, todas funções são realizadas pelas diferentes porções plenárias do Senhor. Vasudeva é uma expansão plenária de Narayana. Quando o Senhor apareceu como Vasudeva perante Devaki e Vasudeva, Ele apareceu na Sua capacidade como Narayana. Similarmente, todos os semideuses do reino celestial apareceram como associados do Senhor nas formas de Pradyumna, Samba, Uddhava etc.. É sabido aqui que Kamadeva apareceu como Pradyumna, Karttikeya como Samba, e um dos Vasus como Uddhava. Todos eles serviram em suas diferentes capacidades a fim de enriquecer os passatempos de Krishna.

Verso 31

kñemaà sa kaccid yuyudhäna äste
yaù phälgunäl labdha-dhanü-rahasyaù
lebhe 'ïjasädhokñaja-sevayaiva
gatià tadéyäà yatibhir duräpäm

Ó Uddhava, Yuyudhana está bem? Ele aprendeu as complexidades da arte militar de Arjuna e alcançou o destino transcendental que é muito difícil de atingir mesmo para grandes renunciados.

Iluminação de Srila Prabhupada:

O destino da transcendência é se tornar um associado pessoal da Personalidade de Deus, que é conhecido como adhoksaja, Ele que está além do alcance dos sentidos. Os renunciados do mundo, os sannyasis, abandonam todas conexões materiais, a saber, família, esposa, filhos, amigos, lar, riqueza - tudo - para atingir a bem-aventurança transcendental da felicidade Brahman. Mas felicidade adhoksaja está além da felicidade Brahman. Os filósofos empíricos desfrutam uma qualidade de bem-aventurança transcendental sobre a Verdade Suprema, mas além desse prazer está o prazer desfrutado por Brahman em Sua forma eterna da Personalidade de Deus. A bem-aventurança Brahman é desfrutada pelos seres vivos depois da liberação do cativeiro material. Mas Parabrahman, a Personalidade de Deus, desfruta bem-aventurança eternamente da Sua própria potência, que é chamada potência hladini. O filósofo empírico que estuda Brahman pela negação das características externas não aprendeu ainda a qualidade da potência hladini do Brahman. Entre muitas potências do Onipotente, existem três características de Sua potência interna - a saber, samvit, sandhini e hladini. E apesar da aderência estrita deles para os princípios de yama, niyama, asana, dhyana, dharana e pranayama, os grandes yogis e jñanis são incapazes para entrar dentro da potência interna do Senhor por mérito do serviço devocional. Yuyudhana alcançou esse estágio de vida, justamente igual ele alcançou conhecimento especializado na ciência militar de Arjuna. Assim a vida dele foi bem sucedida até a extensão plena de ambos os ângulos de visão material e espiritual. Assim é o caminho do serviço devocional do Senhor.

      

     

 

 

 

     

      

Continua em breve...

     

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